sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Mais um suicídio antes do despejo na Espanha...

De OGlobo.com.br

Um homem, de 50 anos, que ia ser despejado, se suicidou nesta sexta-feira em Córdoba, na Espanha. Segundo a polícia local, a ordem de despejo estava prevista para ser realizada nesta manhã, mas não foi confirmado se os funcionários da Justiça estavam no prédio quando o homem pulou da janela de seu apartamento.

É o terceiro suicídio relacionado a despejo nos últimos dois meses na Espanha, o que provocou uma série de protestos da população. Em resposta, o país aprovou nesta quinta-feira medidas que ajudam famílias carentes ameaçadas de despejo, um crescente problema social num país à beira da recessão e com 25% da população desempregada.

O governo disse que irá suspender os despejos durante dois anos para os mutuários inadimplentes em situação vulnerável, que inclui famílias com filhos pequenos, deficientes e desempregados crônicos.

— Esta é uma resposta emergencial para mitigar os efeitos do pior da crise econômica — disse a vice-primeira-ministra Soraya Saenz de Santamaría numa entrevista coletiva semanal.

A Associação Espanhola de Bancos, que na semana passada já sinalizara seu aval à medida, disse que seus filiados compreendem a necessidade de adotá-la, e observou que os custos recairão apenas sobre os bancos.

Os bancos espanhóis, entre os quais muitos estão prestes a receber a primeira parcela de uma linha de crédito de 100 bilhões de euros (127 bilhões de dólares) de um pacote europeu de resgate, retomaram a posse de 400 mil imóveis desde 2008, embora nem todos sejam residenciais.

A tendência está crescendo, com cerca de 50 mil despejos no primeiro semestre, contra 77 mil em todo o ano de 2011.

Na sexta-feira passada, a morte de Amaia Egaña, de 53 anos, que se atirou do seu apartamento no quarto andar enquanto oficiais de Justiça subiam para despejá-la, no País Basco, ganhou destaque na imprensa e colocou a questão no topo da agenda política.

A moratória nos despejos só valerá para famílias com renda inferior a 19.200 euros por ano

O governo receia criar a imagem de que a Espanha esteja relaxando as regras para os pagamentos de créditos imobiliários. O ministro da Economia, Luis de Guindos, disse que as medidas não afetarão o mercado hipotecário da Espanha.

A lei hipotecária espanhola é uma das mais duras da Europa. Os proprietários continuam responsáveis pelo que devem, mesmo depois de devolver o imóvel ao banco, se o valor da casa não cobrir a dívida restante.

Num país onde mais de 80% das pessoas têm casa própria, as hipotecas residenciais classificadas como duvidosas no final de junho representavam 3 por cento do total, bem abaixo dos 27% das incorporadores imobiliários, segundo dados do Banco da Espanha.

Os bancos espanhóis detêm 426 bilhões de dólares em títulos dessa dívida, segundo a Associação Hipotecária Espanhola, e grande parte está estacionada no Banco Central Europeu como garantias creditícias.

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